domingo, 30 de novembro de 2008

Linguística na tradução

A maior parte dos tradutores são formados em uma determinada área e não possuem conhecimentos mais aprofundados em linguística. Crescemos aprendendo a fazer ditados que valiam nota (como por exemplo, "Minhas férias"), mas nunca disseram que na vida seria muito importante interpretar e criar textos com suas próprias opiniões.
Não que eu seja expert no assunto, mas consigo perceber a ligação entre as reclamações dos clientes e os problemas linguísticos identificados em diversos documentos que passam por mim. Não adianta nada um perito da área traduzir um documento sem os conhecimentos linguísticos necessários para tanto. Isso não significa que o tradutor não é competente para realizar a tarefa, porém pequenos detalhes passam despercebidos.
Consigo até citar um caso em que foi devolvido um documento de um tradutor, formado na área, com total conhecimento do assunto, porém com problemas graves de escrita. O pior da história é que o profissional não consegue ver suas próprias falhas e não aceita que o cliente queira trocar o que o tradutor chama de "seis por meia-dúzia".
Eu ainda diria que o tal "seis por meia-dúzia", depende muito do ponto de vista das partes envolvidas.
Como exemplo, o termo "elegible subject" pode ser traduzido de várias formas, dependendo do contexto. Uma das possíveis traduções seria "assunto pertinente", porém caso o termo esteja em um documento farmacêutico, especificamente relacionado a estudos clínicos, poderíamos dizer que trata-se de "pacientes elegíveis" para a participação em um estudo.
Nos próximos posts, gostaria de tecer alguns comentários relacionados ao assunto e, com isso, ajudar os tradutores a perceberem alguns detalhes que, inconcientemente, devem fazer parte das nossas análises e escolhas lexicais e construções textuais.

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